Logo comecei a pensar nas revistas femininas, sempre com uma gostosa na capa e com milhares de receitas para tornar as mulheres “melhores”, afinal a melhor mulher é sempre aquela que você pode tornar a ser. Se você se satisfizer com a mulher que você é, não vai precisar comprar a próxima revista com novas receitas infalíveis da mesma coisa: a nova dieta, a nova ginástica, as novas posições sexuais.
A revista feminina é, portanto, a sequência de planos infalíveis do Cebolinha: aqueles planos feitos para não dar certo, para que assim ele possa apanhar da Mônica (já foi provado aqui neste mesmo espaço que não há nada mais sexual que um tapinha – ou uma coelhada, de repente). E assim a mulher fica sempre na expectativa do que ela pode se tornar.
Mas por que tantas mulheres caem nessa? Será que tem algo do feminino relacionada à mesmice das revistas – uhm, deixa eu ver – femininas?

Não é à toa que tanto as revistas femininas quanto as masculinas tenham mulheres nuas na capa. É isto que atrai o olhar, de ambos os sexos: a mulher, por querer ser como aquela que atrai o olhar; o homem, por desejar aquela mulher, que atrai o olhar de todos.
Mas e aí, isso justifica tudo? As mulheres então devem ficar numa vitrine e as revistas devem tratar de assuntos medíocres, já que só a imagem satisfaz?
É claro que não. Esta é a escolha fácil, a das revistas que não se preocupam de fato em formar mulheres novas de verdade e apenas repaginar a velha ideia de que a mulher deve sim, ser independente, bonita, sarada, bem resolvida, ter uma carreira e ser simpática para… conseguir um bom casamento, é claro!
Deste jeito, ao meu ver, o caminho para novas revistas femininas seria o de valorizar esta diferença. E não o contrario, que é o que se faz por aí, uma tentativa de padronização: “a nova mulher deve ser assim, deve ser assado”. Essa tentativa sempre vai gerar a frustração em todas as mulheres – claro, a venda deste tipo de revista é alavancada por esta frustração!
Assim, não se pode ter bom humor ou irreverência para tratar dos assuntos do universo feminino, já que o bom humor implica numa capacidade de rir de si mesmo, de estar confortável na própria pele. E, de fato, implica em estar bem resolvida, coisa que a velha mulher da nova revista não está, senão não precisaria das novas fórmulas…
E aí sim, podemos aproveitar o fato de que cada uma de nós somos únicas e especiais, no que isto tem de bom – sorry, guys, mas ser única é realmente uma característica do feminino. Coisa que, na verdade, os homens já sabem, caso contrário eles não gostariam tanto de provar um pouquinho de todas nós…"
Marina Graminha Cury é psicóloga e especialista em Psicologia Hospitalar pela USP. É psicanalista em formação. Atua como psicóloga clínica em instituições e consultório particular e acredita que os livros de auto-ajuda deveriam ser queimados em praça pública.
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Qual mulher não está sempre em busca de valorizar sua auto-estima? Qual mulher não quer ter sempre seu ego inflado? E as revistas tem um único objetivo, vender!
Ela sendo ou não como ela é idealizada na revista, ela acima de tudo deve se AMAR!
Acredito que a nova mulher deve se AMAR, independente de ser sarada, bem resolvida e etc..Afinal somos únicas e especiais! Mas como venderiam essas revistas se não mostrassem a mulher que a maioria idealiza ser?

E você, o que acha?






